Estudo da UFRJ alerta para impactos severos das mudanças climáticas na biodiversidade brasileira​

editorBlogDivulga_SCIClima12 months ago32 Views

BIT (Biodiversidade Itanhaém), 18/04/25

Mudanças climáticas estão ameaçando gravemente a biodiversidade brasileira, especialmente em áreas protegidas como a Amazônia, a Mata Atlântica e o Cerrado.​

A constatação é de um estudo conduzido pelos Prof. Artur Malecha, Stella Manes e Mariana M. Vale, das áreas de Ecologia e Sustentabilidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro e publicado na revista Perspectives in Ecology and Conservation (PECON), Vol. 23. Issue 1. Pages 1-60 (January – March 2025). A revista é editada pela Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação (ABECO), com publicação realizada pela Elsevier, uma editora internacional com sede nos Países Baixos .

A pesquisa percorreu uma revisão sistemática da literatura e uma análise quantitativa, reunindo 20.582 projeções de risco a partir de 131 artigos. Em seguida, estimou o tamanho do efeito dos riscos projetados e constatou que os impactos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade variam espacialmente. As áreas alagadas do Pantanal devem sofrer os impactos negativos mais significativos, seguidas pela Amazônia e pela Mata Atlântica, enquanto os campos do Pampa devem apresentar impactos menores.

Segundo o resumo da própria pesquisa publicada, a análise também revelou vieses e lacunas de conhecimento. Por exemplo, a escassez de estudos sobre ambientes marinhos impediu sua inclusão na análise, e houve um forte viés em favor da Amazônia e da Mata Atlântica, com uma carência de estudos sobre o Pantanal e o Pampa. Além disso, houve um viés taxonômico em favor de plantas e vertebrados terrestres, que representaram 90% dos dados. Por fim, o aspecto mais alentador e positivo da tendência aponta que, embora o cumprimento do Acordo de Paris provavelmente não elimine os impactos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade, a análise prevê que isso poderia reduzir esses impactos em 20% e cortar pela metade o número de espécies em risco de extinção devido às mudanças climáticas no Brasil.

O levantamento compilou mais de 20 mil projeções de risco para animais e plantas de ambientes terrestres e de água doce. Os resultados indicam que mais de 90% das espécies analisadas sofrerão efeitos negativos se o aquecimento global continuar no ritmo atual, e 25% correm risco de extinção.

Diferentes impactos das mudanças climáticas sobre os biomas e os táxons do Brasil. As previsões são apresentadas para os cenários de “business-as-usual” (BAU – manutenção das práticas atuais) e do Acordo de Paris (Paris). As colunas representam a porcentagem das projeções de risco que são positivas, negativas ou indicam risco potencial de extinção para cada táxon em cada bioma. Os números indicam a quantidade de espécies afetadas. As figuras representam os diferentes táxons analisados, como artrópodes, aves, peixes, herpetofauna, mamíferos e plantas.

A pesquisa analisou 341 projeções para plantas e animais terrestres, indicando que em mais de 70% dos cenários, as espécies devem se deslocar para fora das unidades de conservação em busca de condições climáticas adequadas ou terão sua distribuição total significativamente reduzida. 

A professora Mariana Vale, do Instituto de Biologia da UFRJ, destaca que o deslocamento da biodiversidade não coloca apenas as próprias espécies em risco, mas também pode desencadear uma perda nos benefícios providos diretamente por elas para a população nacional. ​

O estudo também alerta que as Unidades de Conservação nacionais, por serem estáticas, podem não ser suficientes para proteger a biodiversidade frente às alterações no clima. A pesquisadora Stella Manes, do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS), ressalta que muitas das projeções indicam que as mudanças climáticas empurrarão as espécies para fora das Unidades de Conservação, onde estarão desprotegidas. ​

Entre as recomendações dos autores para garantir a manutenção da proteção destas espécies no futuro, está a consideração do impacto das mudanças climáticas no desenho de novas áreas de conservação, especialmente onde as espécies estão sendo empurradas e se deslocam por sobrevivência. ​

Este estudo reforça a necessidade urgente de políticas públicas que integrem o planejamento climático à conservação da biodiversidade, garantindo a proteção dos ecossistemas e dos serviços que eles prestam à sociedade.

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